quinta-feira, 9 de abril de 2026

"Empregadores do Maranhão" estão incluídos no cadastro nacional de trabalho escravo

 


Quatro empregadores do Maranhão foram incluídos na mais recente atualização do Cadastro de Empregadores flagrados explorando trabalhadores em condições análogas à escravidão, divulgada pelo governo federal. A inclusão é resultado de fiscalizações conduzidas por equipes do Ministério do Trabalho e Emprego, com atuação conjunta de órgãos como o Ministério Público do Trabalho.

As inspeções ocorreram ao longo de 2025 nos municípios de Barreirinhas, Benedito Leite, São Félix de Balsas e Açailândia, onde foram identificadas irregularidades em três propriedades rurais e em uma embarcação. Os casos apontaram situações consideradas graves pela legislação trabalhista.

Com a nova atualização, o Maranhão passa a contabilizar 36 nomes na chamada “lista suja”, ocupando a 13ª posição no ranking nacional. O cadastro é revisado duas vezes ao ano e inclui empregadores após o encerramento dos processos administrativos, quando não há mais possibilidade de recurso.

Durante as fiscalizações, as equipes encontraram trabalhadores submetidos a condições precárias, como ausência de alojamentos adequados, falta de água potável e inexistência de instalações sanitárias. Também foram constatados problemas relacionados à alimentação, além da falta de equipamentos de proteção e de condições mínimas de segurança.

Outras irregularidades envolvem ausência de registro em carteira, atrasos salariais e, em alguns casos, retenção de valores. Houve ainda situações em que trabalhadores precisaram ser resgatados pelos órgãos de fiscalização.

Em todo o país, a atualização elevou para cerca de 613 o número de empregadores incluídos no cadastro. As ações recentes resultaram no resgate de mais de 2 mil trabalhadores em situação de exploração. Por outro lado, 225 nomes foram retirados da lista após cumprirem o período de dois anos sem reincidência.

A “lista suja” é considerada uma importante ferramenta no combate ao trabalho escravo contemporâneo, promovendo transparência e podendo gerar sanções indiretas, como restrições de crédito e impedimentos em contratos com empresas que adotam critérios socioambientais.

Denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio do Sistema Ipê, plataforma do governo federal destinada ao recebimento de ocorrências relacionadas a esse tipo de crime.

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