As urnas de Presidente Dutra deram uma vitória esmagadora ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contrariando a vontade de alguns políticos locais — entre eles o prefeito de Presidente Dutra, Raimundinho da Audiolar. Mesmo sem fazer campanha ostensiva, o prefeito dava sinais de que votaria em Flávio Bolsonaro, imaginando que a vitória deste seria certa e que, mesmo atuando na retaguarda, ele sairia fortalecido como a maior liderança local do grupo.
Mas o tiro pode ter saído pela culatra. Raimundinho teria sofrido sua segunda fragorosa derrota com o suposto apoio ao bolsonarismo. Lula obteve quase o dobro dos votos de Flávio Bolsonaro no município, alcançando a expressiva marca de 17.339 votos contra 9.531. O resultado sepultou o sonho de alguns políticos graúdos de se tornarem a principal referência bolsonarista na região — grupo no qual se incluiria o prefeito, que pela segunda vez teria se omitido em favor de Lula.
Os maiores empresários do Brasil apoiaram massivamente a campanha de Flávio, padrão que se repetiu entre diversos pequenos e médios empresários. Todos visavam os benefícios que um futuro governo bolsonarista poderia proporcionar ao setor empresarial, como uma reforma trabalhista rigorosa, com redução de direitos dos trabalhadores, e uma reforma previdenciária favorável às empresas. Como empresário, Raimundinho não estaria pensando da mesma forma?
Audiolar e alguns de seus silenciosos apoiadores diretos — que pouco passam de meia dúzia — parecem não ter tido a sensibilidade de olhar para trás, com exceção de uma pequena manifestação de agradecimento feita pelo prefeito, através de vídeo, pelas ações que o governo Lula tem feito pela gestão municipal. Entre as diversas realizações, destaca-se a obra de urbanização do piscinão, orçada em mais de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais).
Se Raimundinho não estivesse focado em atender aos seus supostos interesses empresariais e tivesse a mesma consciência que o povo demonstrou ter, Lula teria sido publicamente seu candidato de fato e de direito, sendo exaltado por ele em cada rua da cidade. Para compreender o alcance das limitadas ideias políticas do prefeito presidutrense, basta observar o que o governo de Jair Bolsonaro fez por Presidente Dutra no primeiro mandato: nada! Nenhuma estaca foi fincada no solo da cidade.
Diante disso, por que um prefeito se calaria e se omitiria em relação àquele que mais o ajudou, para supostamente apoiar um candidato bolsonarista, filho do ex-presidente que nada fez pelo município? Não seriam interesses pessoais? Ou seria porque ele se identifica com a política do ódio e do atraso?
O fato é que Raimundinho, que já não desfrutava de grande prestígio político, apequenou-se ainda mais com essa derrota humilhante. Agora, ele será obrigado a fazer o mesmo percurso de antes para dar andamento às suas obras: bater à porta do governo Lula em busca de recursos.
Vale destacar que a vitória maiúscula de Lula veio da vontade soberana do povo de Presidente Dutra. Contudo, algumas lideranças políticas locais não se acovardaram e fizeram campanha pública. Nesse grupo, destacam-se o presidente da Câmara, Ricardo Lucena; o vereador Raimundo Nava; o médico Dr. Orlando; além do Sindicato dos Professores, da Federação e dos estudantes.




























