A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (9), uma das maiores ofensivas do ano contra o crime organizado nas regiões de fronteira do Brasil. Batizada de Operação Sicarius I e Sicarius II, a ação tem como alvo uma organização criminosa suspeita de atuar em um esquema transnacional de contrabando, lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos e ocultação de patrimônio por meio de empresas de fachada.

A investigação aponta que o grupo mantinha uma estrutura considerada altamente sofisticada para introduzir mercadorias ilegais em território nacional, principalmente cigarros contrabandeados e agrotóxicos de origem estrangeira. Segundo a Polícia Federal, a organização operava de forma articulada em diversas etapas da atividade criminosa, desde a entrada dos produtos no país até a distribuição e a movimentação financeira dos recursos obtidos com os crimes.
Por determinação da Justiça Federal de Guaíra, no Paraná, estão sendo cumpridos 44 mandados de prisão preventiva, 14 mandados de prisão temporária e 62 mandados de busca e apreensão em diferentes estados brasileiros. As medidas foram autorizadas após meses de investigação e coleta de provas que revelaram a amplitude da atuação do grupo.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, o sequestro de bens móveis e imóveis, o cancelamento de registros de pessoas físicas e jurídicas ligados ao esquema e a adoção de medidas fiscais voltadas à análise das movimentações financeiras de empresas suspeitas de participação na rede criminosa.
As apurações indicam que os investigados utilizavam documentos falsificados, adulteração de placas de veículos e mecanismos complexos de ocultação patrimonial para dificultar a identificação dos responsáveis e o rastreamento dos recursos movimentados pela organização. Empresas registradas em nome de terceiros também teriam sido usadas para conferir aparência de legalidade às operações e mascarar a origem do dinheiro.
A investigação também apura a participação de agentes públicos que teriam recebido vantagens indevidas para facilitar a circulação das cargas ilegais e garantir proteção às atividades do grupo. Por essa razão, a operação conta com a participação da Receita Federal e da Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal, que auxiliam no cumprimento das medidas judiciais e na análise das evidências reunidas ao longo das apurações.
As ações são realizadas simultaneamente nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Pará, além de alcançar pessoas físicas e jurídicas localizadas em outras unidades da federação. A dimensão da operação evidencia o alcance nacional da organização investigada e a complexidade do esquema desmontado pelas autoridades.
As investigações também ultrapassaram as fronteiras brasileiras. A Justiça Federal autorizou pedidos de cooperação internacional para identificar possíveis ativos financeiros, empresas e integrantes do grupo que possam estar atuando ou mantendo patrimônio no exterior. O objetivo é ampliar o rastreamento dos recursos e impedir que valores obtidos com atividades ilícitas sejam mantidos fora do alcance das autoridades brasileiras.
De acordo com a Polícia Federal, o nome da operação faz referência a um dos codinomes atribuídos ao apontado líder da organização criminosa. Os elementos reunidos até o momento indicam a existência de uma rede estruturada, com divisão de funções e atuação coordenada em diferentes estados, característica comum de organizações voltadas ao contrabando em larga escala.
A ofensiva desta terça-feira representa mais uma etapa do trabalho de combate às organizações criminosas que exploram as regiões de fronteira para abastecer mercados clandestinos e movimentar milhões de reais por meio de atividades ilegais. O material apreendido e as novas informações obtidas durante o cumprimento dos mandados deverão auxiliar na identificação de outros envolvidos e no aprofundamento das investigações.































