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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Esquema de corrupção eleitoral desvia quase R$ 10 milhões no Maranhão

 


A Polícia Federal deu início nesta quarta-feira (10/6) à Operação Fundo Oculto, ação que mira duas organizações criminosas acusadas de articular um amplo esquema de desvio de verbas públicas e financiamento ilegal de campanhas eleitorais durante as eleições municipais do ano passado, no Maranhão.

As investigações revelam como o esquema foi estruturado: empresas que mantinham contratos com diferentes prefeituras do estado serviam de "ponte" para captar recursos públicos. Assim que os valores eram depositados nas contas dessas firmas, eram rapidamente sacados em dinheiro vivo para seguir para outras etapas da fraude. A operação contou com a colaboração de um funcionário de instituição bancária em São Luís, que facilitou as movimentações suspeitas.

O volume de recursos movimentados chama a atenção: o esquema somou quase R$ 10 milhões em transações atípicas, concentradas principalmente no período que antecedeu a votação. Em apenas um dos grupos investigados, o montante direcionado para repasses irregulares chegou a cerca de R$ 2 milhões.

Dinheiro de "caixa dois" e rede de laranjas

Os investigadores descobriram que, após o saque, o dinheiro era repassado para contas de pessoas usadas como "laranjas", com o objetivo de esconder a origem ilícita. Entre as provas coletadas estão planilhas não oficiais que registravam o chamado "caixa dois", além de registros que detalhavam até a logística para entregar os valores — incluindo anotações sobre a presença de viaturas policiais nas proximidades da agência bancária.

Ao todo, foram identificados 15 candidatos que receberam recursos diretamente ou que participaram de negociações para obter os repasses. Parte do dinheiro também foi distribuída de forma pulverizada entre servidores públicos envolvidos na trama.

Medidas judiciais e punições previstas

Com autorização do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, as equipes cumpriram 25 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos suspeitos. Também foram determinados o levantamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, o afastamento de um agente público de suas funções e o sequestro de bens avaliados em R$ 4 milhões.

O objetivo das medidas é mapear toda a extensão do esquema, recuperar o dinheiro desviado e impedir que práticas semelhantes voltem a ocorrer. Quem for responsabilizado pode responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, desvio de recursos públicos, falsidade ideológica eleitoral e outros delitos contra a administração.


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