Em artigo, o ex-secretário de Cultura de São Luís, marqueteiro e militante político há mais de 40 anos, Marlon Botão, analisa a trajetória de Orleans Brandão durante a atual campanha eleitoral. No texto, ele destaca a atuação do candidato, sua exposição nas ruas e nos debates e avalia que a disputa vem contribuindo para consolidar uma identidade política própria para além do sobrenome da família. Leia o artigo na íntegra:
Nas ruas, entrevistas e debates, candidato supera ataques, consolida liderança e constrói uma identidade política própria
Antes de falar do político Orleans Brandão, é preciso começar pelo homem.
Orleans tem 31 anos, é casado, pai de dois filhos e tem sua própria família constituída. Parece uma constatação óbvia, mas precisa ser feita porque, durante muito tempo, seus adversários tentaram construir a caricatura de um menino que teria chegado à política apenas por ser sobrinho do governador Carlos Brandão.

Foi assim que muita gente o conheceu inicialmente: não pelo nome ou pelo trabalho, mas pelo parentesco. Era o “sobrinho de Brandão”. Só que política não se sustenta apenas com sobrenome, e o tempo começou a mostrar isso.
Em março de 2023, Orleans assumiu a Secretaria de Estado Extraordinária de Assuntos Municipalistas. A experiência o levou a percorrer o Maranhão, estreitar a relação do governo com as prefeituras e conhecer de perto realidades muito diferentes entre si.
Nesse trabalho, participou da articulação e da entrega de ações em áreas como infraestrutura, educação, saúde e assistência social. Entre elas, merece destaque especial o combate à fome.
Orleans teve participação importante na expansão dos Restaurantes Populares, que formam a maior rede de segurança alimentar da América Latina e levam alimentação de qualidade a preço simbólico a um número cada vez maior de municípios.
Também esteve diretamente envolvido nas ações do Maranhão Livre da Fome, o maior programa de transferência de renda e de combate à fome da história do Maranhão, voltado a centenas de milhares de maranhenses em situação de extrema pobreza. É uma política que vai além de colocar comida na mesa: busca devolver dignidade, fortalecer a cidadania e criar condições para que famílias possam superar a pobreza.
Na educação, participou ainda das ações do Tô Conectado, com a entrega de tablets aos estudantes da rede pública e a ampliação do acesso dos jovens à tecnologia.
Essa experiência ajuda a desmontar a ideia de que Orleans chegou à disputa sem conhecer a realidade administrativa do estado. Ao percorrer os municípios e acompanhar de perto a execução de políticas públicas, passou a conhecer tanto os avanços quanto as limitações e dificuldades que ainda precisam ser enfrentadas.
E há uma concepção por trás dessas políticas que considero fundamental: desenvolvimento não pode ser medido apenas por estrada, asfalto e concreto. Desenvolvimento de verdade é gente com comida na mesa, jovem tendo oportunidade, estudante conectado com o mundo e famílias recuperando dignidade. É colocar as pessoas no centro das prioridades, independentemente de cor, religião, origem ou condição social.
Mas talvez seja agora, com a campanha nas ruas, que esteja acontecendo a transformação mais importante na imagem pública de Orleans Brandão.
Campanha eleitoral significa exposição. Não há gabinete, assessoria ou sobrenome capaz de substituir o candidato quando chega a hora de responder perguntas, conceder entrevistas, participar de debates, enfrentar adversários e olhar o eleitor de frente.
Muita gente imaginava que Orleans evitaria esse confronto, fugiria dos debates e permaneceria protegido na sombra do tio. Está acontecendo o contrário. Ele está nas ruas, nas entrevistas e nos debates, defendendo suas posições e se submetendo diretamente ao julgamento público.
A mais recente pesquisa IPSensus coloca Orleans com 41,01% das intenções de voto, contra 37,84% de Eduardo Braide. Na semana anterior, a pesquisa Véritas também havia mostrado Orleans à frente, com 47,5%, contra 39,1% de Braide.
Na minha leitura, esses resultados mostram que a liderança de Orleans está se consolidando. E isso acontece num ambiente de ataques permanentes de Braide, Felipe Camarão e seus aliados, que tentam reduzi-lo ao parentesco, ao despreparo e à juventude.
Apesar dos ataques, Orleans continua crescendo. E não considero isso fruto de elogio gratuito ou de puxação de saco. Há uma explicação concreta: ele está cumprindo o papel que se espera de um político que quer governar o Maranhão. Vai às ruas, concede entrevistas, participa dos debates, responde aos questionamentos e se coloca diante do eleitor sem fugir da exposição.
Esta semana tivemos uma imagem especialmente significativa para quem conhece São Luís: Orleans caminhando pela Rua Grande.
Tenho mais de 40 anos de militância política e sei o que representa aquele espaço. Pela Rua Grande passa o Maranhão. Ali estão trabalhadores, comerciantes, estudantes, jovens, idosos e pessoas das mais diferentes classes sociais, crenças e opiniões políticas.
Ali não existe filtro. E foi justamente ali que Orleans decidiu olhar as pessoas cara a cara, apertar mãos, ouvir, conversar e enfrentar aquilo que nenhum laboratório político consegue fabricar: a reação popular.
É por isso que já não faz sentido discutir Orleans apenas a partir de seu sobrenome. O CPF de Orleans Brandão é de Orleans Brandão. Ele precisa ser julgado pela própria trajetória, pelas atitudes, pelo conhecimento que adquiriu do Maranhão e pelo que demonstra agora como candidato.
Sua candidatura hoje ultrapassa os limites de uma família ou de um grupo político. Existe uma militância espalhada pelos 217 municípios levando seu nome e a convicção de que os avanços conquistados pelo Maranhão não podem parar e de que outros ainda precisam vir.
Também começa a cair outro preconceito: o de que juventude significa incapacidade. Orleans é jovem, mas juventude também pode representar energia, disposição para trabalhar, capacidade de aprender e coragem para enfrentar novos desafios. E esse atributo ganha outro significado quando vem acompanhado do conhecimento de quem percorreu os municípios e conhece por dentro a estrutura do estado, suas limitações e suas dificuldades.
Há ainda uma vantagem política importante: a relação que Orleans construiu com o presidente Lula. Tenho convicção de que Lula será reeleito e chegará ao seu quarto mandato disposto a fazer ainda mais pelo Brasil. Para o Maranhão, ter um governador capaz de manter diálogo, parceria e sintonia com o presidente da República significa ampliar as possibilidades de investimentos e de políticas públicas capazes de melhorar a vida dos maranhenses.
Até o apelido de “bebezão”, criado para diminuir e infantilizar Orleans, começa a produzir um efeito diferente daquele imaginado pelos adversários. O que nasceu como deboche perdeu parte da carga ofensiva e passou a ser recebido por muita gente com humor e até carinho. A provocação começa, assim, a ser devolvida de outra maneira: “Pois nós queremos esse bebezão como governador.”
Quando os ataques ao candidato deixam de produzir o efeito esperado, sobra a tentativa de atingir sua família na esperança de alcançá-lo por tabela. Mas eleição não pode ser tribunal de sobrenomes. Cada candidato precisa responder pela própria história, pelas próprias escolhas, pela capacidade que demonstra e pelo projeto que apresenta ao Maranhão.
Os principais adversários de Orleans já são amplamente conhecidos pelo povo maranhense. Têm longa trajetória pública e o eleitor teve tempo de acompanhar o que fizeram, como governaram e aquilo que podem oferecer.
Com Orleans acontece o contrário. Uma parcela importante da população ainda está começando a conhecê-lo, e é justamente aí que mora o problema para quem passou meses tentando defini-lo antes que o próprio eleitor pudesse fazê-lo.
Quanto mais Orleans aparece, debate, caminha e conversa com a população, menos espaço sobra para os rótulos que tentaram impor a ele.
Em outubro, o eleitor decidirá entre pessoas, projetos e trajetórias. Seus adversários quiseram apresentar Orleans ao Maranhão como “o sobrinho”, “o despreparado” e até “o bebezão”.
Mas as pesquisas mostram que o Maranhão está olhando além dos rótulos e enxergando em Orleans um candidato capaz de liderar o próximo ciclo de desenvolvimento do nosso estado. Oinformante


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