
Humberto Coutinho
Por Djalma Rodrigues
Maior liderança do leste maranhense, ou região do Cocais, como se
costuma chamar, o deputado eleito Humberto Coutinho (PDT), ex-prefeito
do município de Caxias, teve importância fundamental na vitória do
governador eleito Flávio Dino (PC do B), ao governo do Maranhão. Médico e
empresário, Coutinho foi eleito no último domingo para o seu quinto
mandato na Assembléia Legislativa. Sem fazer campanhas em muitas
cidades, carimbou o passaporte de volta ao Legislativo Estadual com
67.962 votos, sendo que, desse total, 26.414 foram conquistados em
Caxias, que tem um colégio de 97.795 votantes.
Ele vai ser empossado para o quinto mandato, mas diz, de forma humorada
que foi eleito para o sétimo, em referência à esposa, a deputada Cleide
Coutinho, que se despedirá da AL no dia primeiro de janeiro do próximo
ano, após cumprir dois mandatos.
A liderança política de Humberto Coutinho começou a tomar contornos em
1990, quando foi eleito deputado pela primeira vez. Fazia parte do grupo
Sarney. Foi prefeito da cidade de Caxias, com votação esmagadora, de
2005 a 20012 e conseguiu eleger, com folga o seu sucessor, Léo Coutinho.
Homem de gestos simples, e muito reservado, se notabilizou na
Assembléia e como prefeito, por ser cumpridor de palavra. Praticamente
todos os prefeitos que administram as cidades que gravitam em torno de
Caxias o procuram com muita freqüência, em busca de conselhos. Entre os
parlamentares estaduais, é como se nunca houvesse deixado de ser
deputado, já que transita com desenvoltura entre todas as correntes. Uma
liderança incontestável. Na última quinta-feira, recebeu, em seu
apartamento, na Ponta D’Areia, o nosso editor chefe, Djalma Rodrigues,
para a seguinte entrevista, em que fala da sua expectativa em torno do
futuro governo de Flávio Dino e as razões que o levaram a deixar o grupo
Sarney. Veja a íntegra da entrevista:
AF- Como o senhor analisa o cenário do Maranhão com a vitória do Flávio Dino?
HC- Um
cenário de mudanças, de expectativas, um cenário que já vinha sendo
desenhado pelo povo há algum tempo. A vitória do Flávio Dino é
histórica. O povo e a classe política aguardam profundas mudanças, para a
modificação do quadro que está aí.
AF- Em
2006, o senhor votou em Flávio Dino para deputado federal. É portanto,
aliado de primeira hora. Como ocorreu essa aproximação entre o senhor e o
governador eleito?
HC – Naquele
ano, fui procurado pelo então governador José Reinaldo Tavares que me
pediu que votasse no Flávio Dino. Posso dizer que foi a união do útil ao
agradável. O Flávio foi o mais votado em Caxias, teve uma excelente
atuação na Câmara Federal, com avaliação destacada pelo Diap durante
todos os quatros anos. Se tornou uma grande liderança e agora é o
governador eleito do Maranhão. Uma escolha acertada na época do Zé
Reinaldo e do povo do Maranhão na última eleição.
AF- Quando eleito deputado estadual, o senhor fazia parte do grupo Sarney. O que provocou seu rompimento com essa ala política?
HC- Em
2004, fui candidato a prefeito de Caxias e a governadora Roseana fez
opção pelo adversário. Éramos do mesmo grupo, as pesquisas apontavam
minha vitória, como de fato aconteceu. O problema é que, quando a
governadora Roseana Sarney foi para a cidade fazer campanha para o
adversário, percebi que não havia mais possibilidade de permanecer no
grupo dela. Mantivemos a amizade mas rompemos politicamente. O
rompimento, na realidade, não partiu de mim, mas de iniciativa da
governadora.
AF-
O senhor é médico e sua esposa, a deputada Cleide Coutinho também,
ambos com grande liderança, com grande militância na política. Queria
que o senhor traçasse um diagnóstico da saúde do Maranhão…
HC- A
saúde é um dos gargalos que o nosso futuro governador Flávio Dino vai
encontrar pela frente. A saúde do Maranhão está na UTI, respira por
aparelhos. Os hospitais regionais inaugurados pelo Ricardo Murad, podem
ser considerados peças de fantasia, como em Alto Alegre, Peritoró,
Coroatá, áreas em que ele tem influência política. Não funcionam a
contento, não atendem às reais necessidades do povo. E esse problema é
uma das prioridades da administração do Flávio Dino. Haverá empenho para
que todos possam ser atendidos por uma saúde de qualidade.
AF- Qual é então a outra área que merecerá cuidado especial por parte do governo Flávio Dino?
HC- A
Segurança! A sociedade maranhense vive um grande drama, por conta da
violência desenfreada. A insegurança é a tônica no Maranhão. As
freqüentes rebeliões no presídio de Pedrinhas dão uma exata dimensão do
que ocorre no setor, com presos sendo decapitados e, recentemente,
pudemos observar cenas apavorantes, com ônibus sendo incendiados por
bandidos em São Luís, recebendo comando de dentro do presídio. É uma
situação alarmante. O Maranhão vive atualmente na mais completa
insegurança e esse problema tem de ser equacionado o mais rápido
possível. É uma das prioridades do governo a partir de janeiro de 2015.
AF- Os
indicadores sociais do Maranhão são sofríveis. Nesse quesito,
aparecemos sempre em último lugar. O governo Flávio Dino, sob sua ótica,
terá capacidade de reverter essa quadro a curto prazo?
HC- Tem
que trabalhar com muito afinco. O Flávio sabe de tudo o que está
acontecendo. Vive no Estado, conhece o Estado, todos os municípios. O
Maranhão é um Estado rico, com vocação em todas as áreas de
produtividade. O futuro governador tem livre trânsito em Brasília,
saberá como atrair recursos para o Maranhão e inverter o quadro, já que
somos os primeiros em indicadores sociais, mas de forma invertida, de
trás pra frente. Isso nos deixa angustiado.
Digo que o Flávio conseguirá mudar esse panorama, porque, além de ser um
líder nato, que começou em movimentos estudantis, é um homem culto e
inteligente, um homem que preferiu deixar uma brilhante carreira como
juiz federal, para vir lutar pelo seu povo na política e tudo deu e
continuará dando certo. Tenho plena convicção de que o governo de Flávio
Dino será marcado por lutas, ultrapassagens de obstáculos, por muitas
vitórias. É uma nova página na história do Maranhão. O Flávio Dino foi
eleito para mudar o Maranhão