quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

História de Tuntum, segundo o ex-prefeito Hélio Araújo

O presente texto foi fruto da monografia do Sr. Hélio Araújo, na conclusaão do TCC do Curso Bacharelado em Direito. Hélio Araújo baseou sua pesquisa em depoimentos, relatos e documentos colhidos em seus quase 50 anos de Tuntum, filho da terra de coração.
Início da Colonização do Território de Tuntum- Maranhão
 
Hélio Araújo
Situado as margens do riacho Tuntum, circundado por morros que formam o prolongamento da serra do Amolar, viveram duas tribos indígenas que se rivalizavam. As lutas eram constantes, até chegar ao ponto de uma das tribos ir para o Oeste, agrupando-se no hoje Município de Amarante do Maranhão. A outra tribo composta de índios se agrupou no lugar hoje denominado Tuntum de Cima, eram os Gaves, os primeiros habitantes do Tuntum de Cima, que se formou porque eles foram ameaçados pela presença de brancos que exploravam lavoura na povoação que se formava no lugar denominado Curador (atualmente o Município de Presidente Dutra).
No lugar da hoje Tuntum de baixo, agrupavam-se os índios Canela que rumaram para o sul, agrupando-se inicialmente as margens do riacho Mucura, lugar onde hoje se forma o Povoado São Lourenço; posteriormente se transferindo para as margens do Rio Alpercatas, hoje Município de Fernando Falcão, onde se assentaram e formaram a Aldeia do Ponto onde ainda vivem.
Não uma hitese consensual para a origem do nome do Município (carece de fontes), mas, contam os antigos moradores que a denominação Tum- Tum (maneira como começou a ser escrito o nome da localidade) se deu pelos índios que moravam no Tuntum de Cima e ouviam através da água do riacho, o tom produzido pelos índios Canelas que batiam na pedra para chamar a caça.
A fim de fugir do impaludismo (malária) que assolava os lugares mais baixos da rego, os moradores que vinham de fora à procura de terras férteis para a lavoura, chegavam até a localidade através da serra do amolar, por ser lugar mais ventilado e mais sadio.
Como os riachos o eram perenes e secavam na época de verão, ficando apenas poças, as famílias procuravam acampar junto aos olhos d’águas existentes que formavam brejos que eram numerosos na localidade o que mais chamava a atenção dos exploradores que contavam com água boa e com abundância, como o caso do primeiro morador fixo que se conhece na história de sua formação, que aqui chegou em 1.890, que foi o lavrador José Naziozeno que, diferente dos demais, apenas se deslocou no mesmo Município de Grajaú, do lugar Repartição, vindo morar às margens de um olho Dágua, que posteriormente levou o nome de “Brejo do Caboclo Naziozeno”, em homenagem a seu nome, até porque, sendo um Cidadão de pele parda escura e cabelos lisos e pretos, os índios o confundiam como pessoa de sua raça cabocla.
Doze anos após a vinda de José Naziozeno, aportou na localidade o senhor Manoel José que havia passado pela região e vira que se tratava de terras próprias para o cultivo de lavoura e, com sua esposa Dona Alexandrina, construíram casebre próximo ao olho d’água Mucuíba, explorando roças nas margens esquerda do riacho Tuntum.
A fartura produzida pelo casal José e Alexandrina, chamou a atenção de seus genros que moravam no Sul do Maranhão onde as terras eram menos produtivas e que decidiram também se fixarem na localidade para explorarem lavoura juntos ao sogro, em terras devolutas do Estado, os Senhores Alípio e Manoel Benvinda (irmãos) e Anunciato Borges.
Com a vinda da família de Manoel José, propagou-se no Sul do Estado a notícia da terra prometida, lugar de farta produção de arroz e algodão em terras sem dono, trazendo para cá uma família de Passagem Franca do Maranhão, comandada por Francisco dos Santos Carneiro que se estabeleceu nas margens do riacho Tuntum no ano de 1.906. Tratava-se de pessoas mais esclarecidas para a época e com o crescer da povoação uma sua filha conhecida por Santinha, passou a ensinar as primeiras letras aos meninos do lugarejo, se tornando assim a primeira professora de Tuntum. Também era seu filho o Senhor Raimundo Carneiro, que foi reconhecido pela Ordem dos Advogados do Maranhão, como Advogado Provisionado (Rábula), prestando serviços nas comarcas de Grajaú, posteriormente em Barra do Corda, Pedreiras e Presidente Dutra.
Tuntum começava a se projetar como centro produtivo de arroz e algodão. Assim, o centro ia crescendo na povoação e na produção. Em 1910 era a vez de chagar ao lugarejo a família Coelho que se compunha de 12 pessoas, formando um aglomerado no lugar por eles denominado de Baixa da Égua”, onde edificaram suas residências construídas com alvenarias de taipa e cobertas com palha de coco babaçu.
A povoação chamava atenção, chegando para cá o Sr. Ricardo Fernandes com sua esposa Isabel e duas Filhas que vindo do Ceará, se localizaram no Povoado Curador e vieram à procura de melhores terras para trabalhar, se localizando no lugar por eles denominado de Cutias, em cima da serra, abeirando um olho d’água existente. Logo depois era a vez da família Tataíra, composta de oito pessoas que se localizaram as margens do olho d’água Tiúba.
Dentre as famílias que fizeram o que hoje é Tuntum, contamos a de Honório Araújo que aqui chegou em 1.920, juntamente com a de Correia Lima, Tavares Viana, Francisco Andrade com seus filhos Alexandre, Antônio e Paulo Andrade, vindos do Sul do Estado, mais precisamente, do Município de Pastos Bons.
Os membros da família Correia Lima se localizaram as margens do Riacho Tuntum, próximo ao olho dágua do pinga. os Tavares Viana fixaram-se as margens do riacho formado pelo olho d’água que descia da serra, hoje travessa dos Tavares e a família Andrade se localizou as margens do riacho formado pelos brejos que tinham nascentes onde é hoje a Padaria amazonas, na Rua Dr. Joacy Pinheiro, e outro no lugar onde hoje é a Rua São Raimundo, por traz da chamada usina do Assis Bilé.
Tuntum se tornara conhecido e, com a grande seca que assolou todo o Nordeste Brasileiro, provocando um verdadeiro êxodo em 1.932. Para aqui vieram os flagelados da seca nos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, povoando os centros denominados Vila Cearense, Creolí do Bina e Centro dos Piauizeiros.
Em 1.932 é quando também retorna ao povoado o Sr. Ricardo Fernandes e esposa, desta vez acompanhado dos genros José Uruçú, Antônio Ferreira Queiroz e João Frieira de Queiroz que se estabeleceram, o Patriarca na localidade Cutias e os genros na Rua Principal do Povoado que se formava, hoje Rua Frederico Coelho.
Com a emancipão do Município de Barra do Corda em 1.935, Tuntum passou a sua jurisdição, deixando de pertencer a Grajaú, facilitando assim as transações, pela distância diminuída.
O primeiro comércio varejista do Povoado foi instalado em 1.936 pelo recém-chegado Estevão Correia que se estabelecera onde hoje é a Praça Eurico Ribeiro, onde se formara um largo para os produtores depositarem sua produção que traziam da roça e podiam ser transacionadas na época de estiagem, quando apareciam os compradores de gêneros que os transportava em tropas de animais.
Em 1.940 era a vez da família Léda, chefiada por Ariston Léda que se estabeleceu onde hoje é a Rua São Raimundo com um comércio de medicamentos, que atendia a população que se formava em um aglomerado de casas de palhas e/ou de taipa, cobertas com palhas.
Pessoa falante e desenvolta, Ariston Leda logo se tornou um líder político no Povoado, passando a representá-lo junto às autoridades do Município e dos demais entes da federação, tanto que, quando da emancipação do Município de Curador, em 30 de dezembro de 1.943, que contou com a sua luta e influencia, através de políticos de quem era parente, fora nomeado o primeiro Prefeito do Município, para governá-lo no período de 1.943 a março de 1.946, transferindo-se dessa maneira para a sede da Municipalidade.
Tuntum se tornara um Centro de Produção e para afluía famílias que fixavam morada, formando um aglomerado bem populoso. Os moradores mais esclarecidos já mandavam seus filhos para estudar fora, como o caso de Francisco dos Santos Carneiro que mandou seu filho Raimundo Carneiro para Grajaú, Alípio Coelho e João Pinheiro dos Santos que mandaram os filhos para estudarem em São Luiz e outros que assim contribuíam com o engrandecimento da terra.
Assim, Tuntum ia se organizando e substituindo seus casebres por casas construídas com alvenarias de taipa, tijolos crus (adobes) e a mesmo por tijolos queimados e cobertos com palhas ou telhas de fabricação artesanal.
Em 1953, Manoel Valente de Figueiredo chegou no Município de Tuntum com sua esposa Maria Iracema Gomes. Com nítida personalidade vocacionada ao trabalho incansável, Manoel Valente de Figueiredo se destacava como uma pessoa de visão, com ampla capacidade em questões burocráticas de bancos e cartórios, orientava e dizia as diretrizes de diversas pessoas que tomavam os seus conselhos. Como destaque de seu legado empreendedor agroindustrial, recebeu o premio de maior produtor rural da região dos cocais, destacando-se na produção de arroz, milho e criação de gado. Tornou-se um dos grandes empresários da rego, com uma capacidade e um otimismo invejáveis e dignos de admirão.
No ano de 1955, quando Tuntum se destacava como o maior centro produtivo e maior povoado de Presidente Dutra (antigo Curador), e contava com uma população que abeirava os 3.000 (três mil) habitantes, dominando o comércio nas localidades vizinhas de Presidente Dutra e Barra do Corda e, contando com a ajuda ímpar de Ariston da que possuía inclusive o sobrinho, Deputado Estadual Eurico Bartolomeu Ribeiro, que presidia a Assembleia Legislativa, autor do Projeto de emancipação do Município.
O povoado de Tuntum foi elevado à categoria de Município, atras da Lei 1.362 de 12 de setembro de 1.955, assinada pelo então Governador do Estado Dr. Eugênio de Barros, tendo sido instalado em 27 de dezembro do mesmo ano.
Foi nomeado como Prefeito Municipal o Senhor Isac da Silva Ribeiro para governar o Município no período de 1.955 a 1.959, tendo sido realizado a primeira eleição municipal no dia 15 de novembro de 1.958 concorrendo como candidatos e Prefeito os Senhores Ariston Arruda Léda pela Situão e Manoel Valente de Figueiredo pela oposição, sendo a chapa da situação a vencedora e Ariston Léda consagrado como o primeiro Prefeito eleito do Município.
Tuntum não passou pela categoria de Distrito e quando de sua criação, na mesma Lei, também foi criado o Distrito de São Joaquim dos Melos, localizado ao Sul da sede Municipal.
Desmembrado do Município de Presidente Dutra, Encravado no centro do Estado, Tuntum é considerado o umbigo do Maranhão.
Com uma área territorial de 4.063Km² permaneceu com esse tamanho até o ano de 1.996 quando cedeu 489,959Km² de seu território para formão do Município de Santa Filomena do Maranhão, ficando dessa maneira, ainda com uma vasta área de 3.573,041Km², limitando-se com os Municípios de Presidente Dutra, Santa Filomena do Maranhão, São Domingos do Maranhão, Mirador, Fernando Falcão, Barra do Corda e Joselândia.
Situado a 362 km da Capital do Estado, São Luís, está mais ligado socialmente a Capital do Estado do Piauí, que dista 227 km, pela BR.226, ainda com 100 km sem pavimentação asfáltica, o que dificulta em muito o transito entre as duas cidades.
Com uma altitude de 175m acima do nível do mar, possui um clima tropical e está localizado na mesorregião centro do Estado, na Microrregião do alto mearim, região de cocais sul, com fuso horário UTC-03 e as coordenadas 5º-15’41”s – 41º-38-29”w.
Segundo informões do IBGE, com base no Censo Demográfico de 2.010, possuía 42.786 habitantes e uma densidade demogfica de 12 habitantes por Km², com um índice de Desenvolvimento Humano de 0,775 e um PIB per capta de R$ 3.713,94 (três mil setecentos e treze reais e treze centavos).

 



3 comentários:

  1. Natan Alves da Silva13 de fevereiro de 2014 19:53

    Quanto ao pioneiro e primeiro morador a assentar-se, houve uma barrigada no texto. Então vejamos: Há em nossas mãos um arquivo em mídia eletrônica onde o senhor Nito Naziozeno depõe afirmando que chegou em Tuntum aos oito anos de idade junto com seu pai José Naziozeno, procedente do povoado Repartição município de Barra do Corda, e lá encontraram o senhor Manoel José e dona Alexandrina com uma estrutura mínima e diziam ser crente coisa que naquela época não era comum se ouvir falar. E essas informações foram confirmadas por um dos antigos moradores até então, o senhor Raimundo Santos, em depoimento gravado no referido arquivo.

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  2. O texto é interessante e me emociona ver citado o nome de meus ancestrais. Todavia as informações carecem de melhor analise pois existem alguns equívocos. Estas imprecisões sao em função da pouca ou quase inexistência de fontes de pesquisa sistematizada. Colhi alguns depoimentos importantes, o que na pesquisa histórica se chama de fontes primárias, deste modo havemos de compreender que a mente as vezes nos trai. É importante confrontar o que há disponível a fim de se chegar mais próximo da verdade histórica. Fora tudo isso, é sempre emocionante ler sobre nossa História, nossas raízes.
    O exemplo dos pioneiros nos confrota com a chocante realidade atual.

    Prof. Geovany Silva

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  3. parabéns professor Hélio Araújo, tuntuense de coração e pessoa que muito fez por nossa cidade, na verdade nos orgulhamos de sua performance, desta idade ainda um grande e inteligente estudioso. É sempre bom ler e ouvir seus depoimentos, assim como as opiniões e relatos do seu filho Ciro Ricardo, inclusive os históricos, mesmo sabendo que história é estória,e achando deselegante o amigo acima que deveria escrever sua versão, para construirmos e não criticarmos. Rosa Sousa-De Tuntum em Rio Branco.

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